PITY: Você já foi professora do Colégio São Bento? Quando parou de lecionar? Conte um pouquinho dessa época.
MIRZA: Foi uma época muito especial da minha vida. Ainda hoje, se me concentrar, sou capaz de lembrar cada rostinho de aluno que passou pelas minhas mãos naquele tempo feliz. Rezo por todos eles sempre. Parei de lecionar no final da década de 80. Ainda hoje, só em tocar no assunto, me comovo e sinto muitas saudades. Só para lembrar: uma vez professora, sempre professora, mesmo distante da escola. Afinal, é a minha profissão, mesmo não exercendo o ofício.
PITY: Como é o seu dia a dia?
MIRZA: Normal. Sou esposa, mãe, avó, filha e faço tudo que as outras fazem. Me alegro com as vitórias, sofro com as derrotas de cada familiar e estou sempre a postos caso alguém precise de mim. Para eles, sou sempre superdisponível. Também jogo meu carteadinho toda semana, vou ao salão de beleza, médicos, ginástica, leio muito e procuro me espiritualizar cada vez mais, numa busca constante de chegar cada vez mais perto de Deus.
PITY: Você é uma mulher bonita. Quais os cuidados que toma para manter sua beleza?
MIRZA: Puxa, muito obrigada pelo elogio. Não vou ser hipócrita e dizer que nunca tinha ouvido isso, mas é sempre ótimo quando alguém fala. Meus cuidados são simples. Vou regularmente ao ginecologista doutor Ribeiro, à dermatologista doutora Ângela Lapoli Serra Braga, ao nosso médico de família doutor Celso Menezes e ainda conto com o apoio da equipe Salete Cabeleireira, faço ginástica duas vezes por semana com a minha personal trainer Adri e drenagem linfática também duas vezes por semana com a minha fisioterapeuta Thaís Bragato. Minha maior inimiga é a balança, tenho a maior facilidade para ganhar peso. Então, só na fome, minha doce Pity. Acho que é só. Sem esquecer o mais importante: “mente sana, corpo são”.
PITY: Você compra muito em Criciúma? Na sua opinião, qual a melhor butique da cidade?
MIRZA: Quer me complicar, garota? (risos) Sem brincadeira, estamos muito bem servidos de butiques na cidade. Por isso, mesmo viajando e comprando também fora, eu compro muito em Criciúma.
PITY: Está lendo alguma obra? Que tipo de leitura você consome?
MIRZA: Consumo todo tipo de literatura. Até bula de remédio serve na falta de outra coisa. No momento, estou lendo “A Sombra do Vento”, de Carlos Ruiz Zafón (autor de “O Jogo do Anjo”, que já li, adorei e recomendo).
PITY: Em sua identidade como mulher, o que você encontra na Andrea, que não encontra na Márcia, e o que encontra na Márcia, mas que não encontra na Andrea?
MIRZA: Quando eu olho para as duas mulheres incríveis que eu formei, não entro em mim de tanto orgulho. Duas batalhadoras, duas guerreiras de luz, tão diferentes e tão semelhantes ao mesmo tempo. A Andrea, minha filha mais velha, é uma pessoa extraordinária. Frágil na sua imensa fortaleza, já passou por tanta coisa nesta vida que só quem a conhece verdadeiramente é capaz de mensurar. É uma mãe exemplar, uma profissional rara, cinéfila por natureza e uma leitora voraz. Tem uma capacidade de se comunicar fantástica e está sempre cercada de amigas. Quanto à Marcinha, o diminutivo já fala por si. Para mim, ela será sempre a Marcinha, a caçulinha. Mas não se enganem! Ela também é uma rocha, generosa como raros, estudiosa, mãe maravilhosa, companheira e amiga. Dedicada ao seu trabalho e mais doce do que o açúcar. Fica um pouco confuso eu nomear as diferenças entre as duas enquanto mulheres. Talvez pelo fato da Andrea ter tido muito mais obstáculos para transpor nesta vida, ainda tão curta, ela tenha ficado mais calejada que a Marcinha e vice-versa. Mas ambas são adoráveis e excelentes companhias.
PITY: Recentemente, você ganhou da Márcia mais uma princesinha, somando quatro netos. Dizem que amor de avó é diferente de amor de mãe. Você concorda?
MIRZA: Concordo. Só discordo quando dizem que a gente ama mais os netos do que ama os filhos. Nada, absolutamente nada neste mundo, amamos mais do que os filhos. A grande magia dos netos é que a gente os ama como se fossem nossos e eles não são. Considero o amor de avó um amor mais sábio. Nós, as avós, já sabemos ser mães. Esta é a grande diferença. Só que, infelizmente, não podemos aplicar a nossa sabedoria. Nossas filhas, em primeiro lugar, não permitem. E, em segundo, estão certas. Para que o ciclo da vida se cumpra, é necessário que elas aprendam errando, como nós aprendemos. E depois (risos) não tenham nada para fazer com este aprendizado. Como nós também não temos. Mas nada é mais sublime neste mundo do que ser avó.
PITY: Mirza Castro é presença quase que diária nas editorias sociais da cidade. Você gosta de aparecer?
MIRZA: Não, eu não gosto de aparecer. Nunca busquei holofotes, aconteceu tudo naturalmente. Pra falar a verdade, nem percebi o que se passava ao meu redor. Mas não posso negar que gosto de ser notada, elogiada, comentada. E quem disser que não gosta, vai me deixar muito desconfiada da sua sinceridade.
PITY: Como você vê a mídia local?
MIRZA: A mídia local poderia ser bem melhor, não fosse pela intromissão de quem pensa que sabe fazer e acaba trocando os pés pelas mãos. Mas, graças a Deus, temos grandes colunistas em Criciúma. E se algum jornal não tem grandes colunistas é simples: suspendemos nossa assinatura. Afinal, vivemos numa democracia. E vida longa aos que sabem escrever com ética e com respeito!
PITY: Assim como toda pessoa pública, você também é alvo de críticas. Você lida bem com isso?
MIRZA: Muito bem, graças a Deus! Às vezes, invadem mesmo a nossa privacidade. Isso já me incomodou, hoje não mais. Quanto às críticas, filtro tudo, absorvo o que pode me acrescentar como pessoa e quanto ao que não me serve, sempre rende alguma coisa, nem que sejam boas risadas da cara do bobo que as proferiu.
PITY: Lhe desconforta ser chamada de socialite?
MIRZA: Nem um pouco. Quem vive em coluna social não é socialite?
PITY: Qual foi sua maior vitória?
MIRZA: Ter nascido.
PITY: O que o dinheiro não pode comprar?
MIRZA: Paz de espírito. Não tem nada melhor que deitar no travesseiro à noite e dormir em paz.
PITY: Sua maior loucura financeira?
MIRZA: Eu não cometo loucuras financeiras. Meu marido as comete pra mim. Foram tantas...
PITY: Poderia citar alguma?
MIRZA: Ah, minhas bolsas caríssimas, meu carro, que é supercaro, minhas joias... É ele quem banca. Se eu disser que algo é lindo, ele vai correndo comprar.
PITY: A melhor viagem?
MIRZA: Ao Egito. Não tem nada mais mágico nem mais lindo que a cidade do Cairo. É impressionante!
PITY: Dizem que atrás de todo rico, sempre existem pessoas bajulando. Isso acontece com você?
MIRZA: Prefiro acreditar que não. Eu amo tanto os meus amigos. Eles são a família que eu escolhi pra mim.
PITY: Quem são seus verdadeiros amigos?
MIRZA: Tenho tantos... Um mais bacana que o outro. Sou feliz ao lado deles.
PITY: Você realiza algum trabalho social, colaborando com pessoas mais necessitadas?
MIRZA: Reza a lenda que o que a mão direita dá, nem a esquerda deve ficar sabendo, mas todos sabem que eu tento ser generosa e ajudo bastante. Sempre acho que deveria ter ajudado mais, mas isso é coisa minha. Deixo meu marido quase louco.
PITY: Pra quem você tira o chapéu em Criciúma? E pra quem não tira?
MIRZA: Tiro o chapéu pra muita gente. Tem muita gente boa nesta terra. Hoje, particularmente, quero tirá-lo pra você, uma garota adorável, sensível, bem-educada e que só faz o bem. Não tiro o chapéu para a hipocrisia e para a injustiça. E tem muita gente em Criciúma que pratica estes adjetivos com regularidade quase constante. Falando em chapéu, este serviu para você, leitor?
PITY: O que lhe faz chorar?
MIRZA: Injustiça! Injustiça! Injustiça!
PITY: Como você se vê daqui a 20 anos?
MIRZA: Mais espiritualizada, mais evoluída, melhor!
PITY: Se amanhã você acordasse pobre, qual a melhor lembrança que teria de tudo que o dinheiro lhe oportuniza hoje?
MIRZA: Se amanhã eu acordasse pobre, eu me sentiria viajando no tempo, de volta ao passado. Eu vim de baixo, sou filha de professora primária e viúva. O dinheiro me ajuda a comprar muita coisa, mas não é fundamental. Eu não o tinha e era feliz. A melhor lembrança que eu levaria dele seria, sem qualquer dúvida, as bocas que ele me permitiu alimentar, os corpos que ele me permitiu aquecer no inverno, a saúde que ele me permitiu devolver a enfermos. Sem nenhuma demagogia, quem me conhece verdadeiramente sabe que é verdade.