Manezinha da Ilha e mimada assumida, ela ficou conhecida nacionalmente ao participar da nona edição do Big Brother Brasil. Após sua passagem pela casa mais vigiada do país, Ana luta contra o preconceito sofrido por ex-BBBs, acredita existir manipulação nos resultados e confessa que, se soubesse como seria todo o processo, não teria se inscrito no programa.
PITY: Por que se inscreveu no Big Brother? Já tinha se inscrito alguma outra vez antes de ser selecionada?
ANA: Eu sempre tive vontade de participar do BBB. Mas só tive coragem, e esperança de entrar e ter a possibilidade de ganhar, após o BBB7, pois o Alemão não ficou contando historinha triste, nem falando que era pobre. Ele ganhou pela pessoa que ele é. E como eu venho de uma família financeiramente bem de vida, vi que tinha a possibilidade de ganhar. Então me inscrevi no BBB8, fui chamada para a tão falada cadeira elétrica [processo de seleção] e quase entrei. Em 2009, me inscrevi de novo, para a nona edição, mandei o DVD e fui chamada novamente para a cadeira elétrica. Só que dessa vez eu entrei.
PITY: Onde, como e quando recebeu a notícia de que havia sido selecionada?
ANA: A certeza mesmo de que eu fui selecionada para entrar no BBB9 eu tive dia quatro de janeiro de 2009, quando um produtor do programa foi na minha casa me buscar.
PITY: Por que acha que lhe escolheram?
ANA: Por eu ser verdadeira e autêntica. Meu DVD era muito simples, mas eu falei como eu era, sem fazer tipo algum. Mostrei que era uma pessoa com defeitos e qualidades, sem vergonha nem medo de ser quem eu sou.
PITY: Sua participação no programa chamou a atenção do Brasil. Você foi a única catarinense, até hoje, que se destacou dentro da casa e que chegou perto do prêmio final. Por que acha que isso aconteceu? O que acha que tem/fez que os outros catarinenses não tiveram/fizeram?
ANA: Eu nem lembro quem foram os outros catarinenses que entraram, mas eu me destaquei por ser verdadeira e sincera.
PITY: O Big Brother é a porta certa para quem quer tentar a fama, mesmo que instantânea?
ANA: Não! Ter fama de ex-BBB é a pior coisa para uma pessoa que sonha em entrar no meio artístico, pois ele é muito cruel com os ex-BBBs. Esse meio acha que ex-BBBs só querem ganhar fama, sem estudar, sem ter um currículo, coisas que muitos ex-participantes realmente fazem. Não querem estudar, só querem aparecer exibindo o corpo, saindo com diretores ou algo do tipo (pois isso acontece, mas não vou citar nomes).
PITY: Afinal, quem é o Boninho [diretor do reality]?
ANA: Como profissional ele é ótimo, brilhante, mas como pessoa ele não é bom, pois não sabe tratar com respeito o próximo.
PITY: O que mudou na sua vida depois do BBB?
ANA: Mudou muita coisa ao meu redor, principalmente o modo como as pessoas me enxergam...
PITY: A edição favorece alguns participantes?
ANA: Eu não sei, pois não consegui ver todos os programas da minha edição, mas acho que quem realmente sabe o que acontece lá dentro é quem assiste ao PPV (pay-per-view), pois é impossível editar 24 horas em 15 minutos.
PITY: Você acredita que há manipulação nos resultados?
ANA: Sim.
PITY: Se pudesse voltar a fita, faria algo diferente lá dentro?
ANA: Não.
PITY: Sua relação com a vovó Naná, a participante mais velha do programa, foi um dos chamarizes da nona edição. A amizade continuou fora da casa? Vocês ainda se falam?
ANA: Claro, eu adoro a Naná! Nós nos falamos quase todos os dias.
PITY: Você possui contato com algum colega de confinamento?
ANA: Sim, com quase todos.
PITY: Ao sair do programa, você se envolveu em uma briga com a vice-campeã, Priscila. O que rolou?
ANA: Eu não briguei com ela. Ela que agiu de uma forma grosseira, o que acabou ficando mal pra ela, pois todos viram que a fama subiu à cabeça.
PITY: Informações de bastidores contam que rola muito esporro do Boninho, via microfone, quando vocês não estão no ar. Isso procede?
ANA: Sim, mas tiveram muitos outros esporros bem piores do que esses que devem ter vazado...
PITY: O que não pode de verdade dentro da casa do BBB?
ANA: Comentar os esporros que o Boninho nos dá.
PITY: Muita gente acha que vocês, participantes, são marionetes nas mãos da direção do programa. Eles exigem algum tipo de comportamento lá dentro?
ANA: Comigo isso nunca aconteceu, mas não posso responder pelos outros participantes.
PITY: Acha que o Max foi merecedor do prêmio de um milhão?
ANA: Na minha opinião, não, mas não tenho nada contra ele.
PITY: Você não ganhou um milhão, mas chegou perto, ficou em quarto lugar. Por que acha que foi eliminada?
ANA: Prefiro não comentar, pois eu não fui eliminada...
PITY: Deu para ganhar dinheiro assim que saiu do programa? Hoje já se passaram dois anos. Você ainda fatura com o rótulo de ex-BBB?
ANA: Sinceramente, não, pois eu não me sujeito a qualquer coisa. Eu não entrei no BBB para mostrar o meu corpo ou para viver da minha imagem. Eu sou muito mais do que uma ex-BBB! Sou uma guria que estuda muito. Acho que foi por isso que, após a minha edição, assim que o contrato com a Globo acabou, fui imediatamente contratada pela RedeTV!.
PITY: Muitos participantes se incomodam em ser conhecidos como ex-BBBs. Isso é um problema para você?
ANA: Me incomoda. Não tenho vergonha de dizer que participei do BBB, mas dizer que isso foi a única coisa que fiz na vida, e que eu me resumo a uma ex-BBB, é ridículo! Eu fiz coisas mais legais do que participar do programa. Sou bacharel em Direito, tirei nota 10 com indicação para publicação da minha monografia de experimentação animal e o direito de objeção de consciência, participei de grupo de pesquisa em teoria e filosofia do Direito... Depois que eu entrei no BBB, mudei o foco, fui para a área da comunicação, mas continuo estudando muito. Fiz diversos cursos, no Senac, Escola São Paulo e Escola de Atores do Wolf Maya. Vou tirar agora o DRT de apresentador de TV. Recentemente concluí um curso técnico no Senac direcionado a essa área.
PITY: Qual sua ocupação profissional hoje em dia?
ANA: Virei empresária. Tenho uma loja virtual, a LAX Store, sou apresentadora de TV (estou negociando com uma emissora, mas não posso falar mais nada, pois tem muito olho gordo) e também sou bacharel em Direito, só que não exerço.
PITY: Defina a Ana de antes e a Ana de depois do BBB.
ANA: Continuo sendo a mesma Ana de sempre, mas um pouco mais madura, já que sofri muito depois do Big Brother ao conhecer um lado muito ruim do ser humano.
PITY: Até hoje você possui uma leva de seguidores conhecidos como os "anáticos". Que tribo é essa?
ANA: São os meus fãs. Eu amo eles! Tenho fãs no mundo todo. Eu não tinha a mínima noção disso. Tenho fãs em todos os estados brasileiros, muitos em Portugal, EUA, Japão, entre outros países (a maioria brasileiros que moram fora ou estrangeiros que já moraram no Brasil e continuaram vendo o Big Brother por meio da Globo Internacional).
PITY: Você mora em São Paulo? Com que frequência vai a Floripa?
ANA: Eu me divido entre os dois.
PITY: Por que o BBB deu tão certo no Brasil?
ANA: Porque as pessoas são curiosas. São voyeurs.
PITY: De tudo vivido lá dentro, Ana possui alguma mágoa?
ANA: Não, eu não guardo mágoa de ninguém. É um sentimento tão ruim...
PITY: A Ana é aquela garota mimada que a gente conheceu em 2009?
ANA: Qual o problema de eu ser mimada? Porque eu fui muito amada pelos meus pais? Eu não tenho problema com isso. Sou uma pessoa normal, com defeitos e qualidades. Sou mimada, sim, mas também sou impulsiva, sincera, verdadeira, carinhosa, espontânea...
PITY: Qual o recado que você deixaria para os leitores que estão pensando em se inscrever para a 11a edição?
ANA: Sinceramente, pense mil vezes antes de se inscrever, pois é bem provável que tu vais te decepcionar, já que a gente cria uma expectativa muito grande. Tens que te perguntar se vale a pena tu querer mudar de vida. Se vais ficar rico? Provavelmente não. Se quiseres posar nua, fique tranquila que terão propostas. E se tu fazes tudo pela fama, então te inscreva. Eu não entrei no BBB para ficar famosa, mas, sim, para tentar ganhar um milhão de reais mostrando a pessoa que eu sou. Então, só pense muito antes de fazer isso. Se eu soubesse como seria, eu não teria me inscrito.