Com uma história muito parecida com a da Daslu (que começou em um quartinho), Idalina Fernandes Dal Toé, conhecida como Dalla, iniciou sua trajetória de sucesso aos 13 anos, vendendo roupas de cama, mesa e banho. Hoje, aos 52, olha pra trás e orgulha-se, com razão, de um passado marcado por muita luta e dedicação.

 PITY: Como começou o namoro da Dalla com o segmento fashion?

DALLA: Aos 13 anos, eu fui ajudar em uma loja, a extinta Casa América, que vendia todo tipo de cama, mesa e banho, atividade que me encantou e que despertou um desejo incrível por venda. Ali, eu senti que tinha aptidão pela coisa. Devido à facilidade que sempre tive em me comunicar com as pessoas, aos 16 fui convidada para ser secretária de dentista, onde trabalhei por seis anos [período em que casou e teve a primeira filha, Thati]. Porém, eu me sentia incompleta, faltava algo. Foi quando perguntei ao meu patrão se ele se importaria caso eu vendesse alguns produtos de moda às suas pacientes. Ele apoiou a idéia e eu passei a aproveitar o seu espaço. Nunca tinha passado da Içara, quando uma paciente, em um bate-papo na sala de espera, se propôs a me levar para São Paulo, para fazer algumas compras. E lá fomos nós duas, no ônibus da Catarinense, que na época levava 20 horas de viagem. Me encantei pela cidade! Concluí que lá estava a solução para o vazio que eu sentia dentro de mim. De volta a Criciúma, convidei algumas pessoas para irem à minha casa ver as mercadorias. Elas amaram as roupas, fazendo com que eu embarcasse, na semana seguinte, de volta à Sampa, desta vez sozinha, apenas eu e Deus. Voltei e senti uma necessidade de um espaço maior para expor meus produtos. Minha casa era muito humilde, tinha a Thati, que era um bebê... Porém, eu não tinha um tostão para comprar sequer uma prateleira. Pedi apoio ao Lédio, meu marido, e conseguimos alugar uma salinha ao lado do consultório onde eu trabalhava. Arranquei as portas do único guarda-roupa que eu tinha, joguei umas almofadas no chão e por ali comecei meu atendimento. A paciente saía da consulta e eu a levava direto para o meu cantinho.

PITY: Pelo visto, logo, logo iria largar o emprego de secretária...

DALLA: Sim. Logo em seguida me demiti, deixando a minha irmã no lugar, e fui atrás de um espaço ainda maior, já que a sala se tornou pequena, me dedicando totalmente à minha nova profissão. Aluguei outra sala, no mesmo andar. Desta vez com uma estrutura melhor, com telefone, por exemplo. Batizei de "Toca da Onça", pois o lugar era escondido. Foi a primeira boutique em Criciúma localizada no primeiro andar (todas eram no térreo). Quando as pessoas passaram a acreditar no meu trabalho, eu engravidei do Kadú, meu segundo filho, e fui proibida pela médica de viajar, pois tinha engordado muito. Isso me frustrou e eu decidi curtir minha gestação. Vendi a loja.

PITY: Porém, não aguentou...

DALLA: Bingo! Um ano depois, eu e o Lédio vendemos nosso Fusca e alugamos uma garagem do Dilson Freitas, onde montamos outra lojinha, ainda mais ajeitadinha que as anteriores. Foi ali que despertou minha paixão por leitura, já que eu ficava lendo enquanto esperava pelas clientes. Existiam muitas lojas boas em Criciúma, com muitas marcas. Comecei também a buscar marcas melhores, que se identificassem com o meu trabalho e com o gosto das minhas clientes. Novamente, o espaço ficou pequeno e acabei indo para o outro lado da rua, em uma loja cinco vezes maior. Nessa época, eu já era vendedora exclusiva da Shopper.

PITY: Foi difícil conseguir uma marca de renome?

DALLA: Tive que provar meu profissionalismo, mas eles acreditavam no meu desempenho, na minha força de vontade. Na verdade, eles acreditaram muito em mim. A imprensa passou a me convidar para desfiles. O Carminati me deu uma força muito grande e a Fabiana Herrmann foi a primeira pessoa que acreditou em mim, em Criciúma. Ela era colunista e me ajudou muito, divulgando minhas marcas, minhas clientes, meus eventos... Onde me convidavam para desfilar minha loja, eu ia! Foram os meus desfiles que deram credibilidade para os desfiles de hoje em dia na cidade.

PITY: E o Della Giustina? Surge em qual fase de sua vida?

DALLA: Eis que surge a exigência de público de shopping. Há 20 anos, a moda, no Brasil, era comprar em shopping. Mesmo com minha loja estruturada, em um lugar nota 10, comecei a achar que deveria seguir o rumo da moda e atender às exigências do mercado. Fui pro Della e cheguei a comandar quatro lojas simultaneamente: a Detroit (moda masculina), a Dalla (moda feminina), a Twig (roupas importadas) e a Marcas e Manias (surfwear).

PITY: Das ruas para o shopping, do shopping de volta às ruas. Você foi pioneira desta nova onda que vem conquistando nossas lojistas, tirando-as de dentro do shopping e montando seus espaços nas calçadas...

DALLA: Novamente segui o rumo da moda. Senti que minhas clientes não tinham mais privacidade em ir ao shopping. A escassez de um bom estacionamento, que continua sendo um grande problema na cidade, e até o fato de elas circularem pelo shopping com as minhas sacolas, despertando ciúmes na outras lojistas, fizeram com que eu saísse de lá. O Della não tinha nada a me oferecer. Eu fui conversar com eles sobre as mudanças que o mercado estava exigindo e eles não me deram importância. Era hora de oferecermos algo mais ao nosso cliente, que viaja, sabe o que é bom, quer uma água fresca, um bom ar-condicionado, um abraço, um sorriso. Mas eles não me deram importância. Tanto é verdade que muitas outras lojistas seguiram atrás de mim.

PITY: Pensou alguma vez em desistir?

DALLA: Pensei. Achei que estava cansada, que não queria mais, que talvez já tivesse realizado os meus sonhos e que era tempo de curtir minha neta. Porém, depois de ler e assistir o livro e o filme "O Segredo", decidi que não deveria desistir no primeiro obstáculo. Me levantei do sofá, no Rincão, peguei um ônibus para Criciúma, cheguei na loja, olhei pra Di [seu braço direito há 25 anos] e disse: "Tenho que sair daqui. Isso daqui não serve mais pra nós".

PITY: Como você lida com a concorrência?

DALLA: Lido com sabedoria. Aprendi na Bíblia que devo cuidar do meu espaço, sem ficar me preocupando com o do concorrente. Sempre falava nas reuniões do shopping que não existe concorrência, existem parâmetros. Caso algo em meu negócio não esteja dando certo, tenho que buscar mudanças e observar qual a carência. Não olho com maus olhos os meus concorrentes. Cada um tem suas conquistas e todo mundo precisa de todo mundo. Aprendi isso vivendo 18 anos dentro do shopping. Sirvo de exemplo para muitas. Prova disso são as amizades feitas naquela época e que mantenho até hoje. Lembro quando a Valéria [da Código Mulher] quis sair do shopping. Ela foi à minha casa e abriu o coração. Eu dei várias dicas que poderiam combinar com o estilo de sua loja. Conheço a pessoa dela. Fizemos parte da mesma Igreja e vejo que ela é uma pessoa do bem.

PITY: E por falar em Igreja, Dalla virou evangélica?

DALLA: Evangélica renovada há 10 anos. Faço parte da Congregação Caminho de Deus. Oro todos os dias. Fui batizada pela Igreja e, desde então, fiz uma aliança com Deus que, daquele dia em diante, Ele seria o meu mestre. Ele comandaria a minha vida. Servindo a Ele encontrei mais paz no meu coração.

PITY: Dalla acorda e pega a primeira roupa do armário ou demora para se arrumar?

DALLA: Como uma boa ariana, sou muito prática em todos os aspectos. Tenho os lugares bem definidos no meu guarda-roupa, do maleiro à sapateira. Não gosto de atraso.

PITY: Estilo nasce com a pessoa?

DALLA: Olha, às vezes tenho dúvidas. Tem vezes que acho que sim, tem vezes que acho que a vida ensina. Te confesso isso porque me pego em certas situações que digo ter nascido pronta. Em outras, penso que preciso aprender muito. É uma coisa muito indefinida.

PITY: As mulheres de Criciúma se vestem realmente bem?

DALLA: Muito bem! Nossa, eu tenho orgulho de ser criciumense, de vê-las bem vestidas, impecáveis e muitas delas seguindo minhas orientações, o que me deixa muito feliz. Criciúma não perde nada para Paris, Milão, Nova York e para nenhum lugar do mundo. Desde a moda da Henrique Lage, acho tudo de muito bom gosto.

PITY: E os homens?

DALLA: Eu diria que se vestem de igual para igual. Os homens de Criciúma são bastante vaidosos, se preocupam com a aparência, com um bom terno, uma gravata, um bom sapato. Não perdem em nada para as mulheres.

PITY: É preciso muito dinheiro para vestir-se bem?

DALLA: Não. É preciso de um bom estado de espírito, bom gosto e uma boa orientação na hora da venda.

PITY: Como é vestir as filhas das suas primeiras clientes?

DALLA: Pity, eu estou na terceira geração de clientes. Já estou vestindo as netas delas, indo para a quarta geração! Isso é muito gratificante. Prova que tudo valeu a pena e que não podemos pensar somente no lucro, mas, sim, na realização profissional. Tenho cliente que compra comigo há 30 anos, desde minha primeira viagem [aquela, no busão da Catarinense].

PITY: E o que lhe deixa triste?

DALLA: A inveja. O fato de algumas pessoas não acreditarem no meu trabalho devido a comentários mesquinhas, frutos de muita maldade. Isso, na verdade, me fortalece, porque me faz acreditar que o bem está acima do mal e que não devemos nos deixar levar por pessoas que nos querem ver pelas costas.

PITY: Qual o segredo de suas megaproduções, sempre tão badaladas e cativantes?

DALLA: Procuro estar cercada de pessoas do bem. E vejo que todos esses profissionais realizam com tanto amor que acabam não se preocupando com o rendimento financeiro. Isso flui uma energia muito boa. As pessoas me prestigiam porque sentem a presença de Deus nos meus eventos.

PITY: Um bom atendimento necessita de?

DALLA: Conhecimento. É a base de tudo.

PITY: Já que costuma ler muito, que tal uma dica de leitura?

DALLA: "A Cabana" [William Young]. É maravilhoso! Todo mundo deveria ler esse livro.

PITY: Uma personalidade que admira no planeta fashion?

DALLA: Roberto Cavalli. Gosto muito do Tufi Duek, ele é o cara em administração! Mantém suas marcas no mercado há 30 anos. O Renato [Calimam], da Carmim, também. Passou por várias fases sócio-econômicas e continua firme e forte. Eu citaria vários nomes. Não conheço os donos da Damyller, mas devemos aplaudi-los. Acho eles de um conhecimento muito grande. Acreditaram na cidade, na marca e estão crescendo muito, assim como muitos empresários de Criciúma. Fiquei orgulhosa ao ver um outdoor da Lança Perfume [grife de Nova Veneza] em São Paulo. Assim como fico orgulhosa ao ver as lindas lojas que inauguram por aqui. Nós, lojistas, ficamos tristes quando soubemos que os consumidores locais saem daqui para comprar fora. Não que não possam comprar, mas deveriam primeiro procurar em nossa cidade, pois temos de tudo.

PITY: Como será a moda do inverno?

DALLA: O inverno, como sempre, é uma bela estação. Ela vem linda, chique, com muito xadrez, listras e tecidos reciclados. E uma boa notícia: os preços das grandes grifes estão baixando muito.

PITY: Na maturidade dos 52 anos, como classificaria seu momento pessoal atual?

DALLA: Um momento de êxtase, onde falo de mim não por vaidade, mas porque sou prova viva de que é possível vencer mesmo tendo inimigos por todos os lados. A mudança do shopping para a casa me fez repensar nos valores da vida. Hoje sou uma nova mulher, sem arrependimento do que fui, do que fiz ou de como eu era, mas com crescimento e mudanças em várias áreas. A idade proporciona momentos de reflexões, de introspecção.

PITY: Qual o seu recado para as meninas que estão começando a vender, exatamente como um dia aconteceu com você?

DALLA: Morro de vontade de escrever um livro! Tenho até o título: "De sacoleira à butiqueira". Eu diria que se começa com o pé no chão, devagar. Vender não é difícil, difícil é receber. Não tenha pressa na hora da venda. Venda para quem valoriza o seu produto. Esse é o segredo para chegar aonde se quer. Não tenha medo de ficar com o produto encalhado. Venda 50, mas receba 50. Não venda 100 para receber 50. E me coloco à disposição de todas elas para qualquer tipo de orientação. É só aparecerem lá na loja.

PITY: Planos para 2009?

DALLA: Nossa, são vários. Eu achei que iria me acomodar, mas ano que vem, com certeza, irei ampliar a linha festa/gala. Existia uma carência muito grande na cidade. As pessoas saíam para buscar roupas fora daqui. Foi quando eu estava em Nova York e tive uma grande sacada, passando a trazer lindos vestidos para Criciúma. Porém, não basta você viajar, comprar a roupa e trazer para vender. Necessita-se de um funcionário que tenha conhecimento para poder indicar o traje ideal, por exemplo, para a mãe ou para a madrinha da noiva. Cheguei na hora certa e arrasamos. Bailes do Criciúma Clube e Mampituba, festas de 15 anos, casamentos, formaturas... Sucesso total! Toda região já enxergou minha loja. Hoje, eu coloco outdoor não só no Centro de Criciúma, mas em 10 municípios da região.

PITY: Dedica sua vitória a alguém?

DALLA: Primeiro a Deus, por ter me permitido chegar até aqui. Depois ao meu marido e, em terceiro, à Di.

  • Dalla Dal Toé
  • Dalla Dal Toé
  • Dalla Dal Toé
  • Dalla Dal Toé
© copyright 2011 . by neurodigital

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player